Você percebe o desenvolvimento do seu filho?
- Laís Spósito
- 5 de fev. de 2024
- 4 min de leitura
Tenho me visto nos ultimos dias fascinada com as mudanças do desenvolvimento infantil perceptíveis no Liam, meu filho de 17 meses. Na última semana ele deu um salto gigante de desenvolvimento. Dormiu um dia sem conseguir ainda desempenhar certas tarefas/brincadeiras/entendimento, e no outro já sabia fazer, descer, entender os comandos. Como se uma chavinha girasse no cérebro dele e pronto! "Acomodei a informação, o aprendizado, agora já sei isso!". Claro que issonão acontece de uma hora para outra, o aprendizado é gradativo e contínuo. Mas é incrível de ver!
Minhas aulas de psicologia e desenvolvimento reaparecem em minha memória e toda a teoria ganha vida prática através do meu filho.
Não sei se todo cuidador percebe isso, o exato momento em que esses ganhos se mostram. Não sei se é o privilégio de quem tem a oportunidade de cuidar do filho 24h. Exaustivo, sim, não estou romantizando, tem horas que a vontade é sair correndo, tantas são as demandas que envolvem cuidar e educar um ser humano.
Eu, particularmente, escolhi uma criação sem telas. Isso tem me exigido muita paciência, abdicação - afinal, sem telas enquanto estou com ele é, a maior parte do tempo, sem telas para mim também, inclusive, escrevo agora do metrô, enquanto me desloco para casa de uma amiga, pois, faz dias que quero escrever sobre isso e não estava tendo a oportunidade. E só pude postar à noite, depois dele dormir. E isso nem sempre é fácil, mas sigo firme e feliz na minha decisão.
Para mim, embora todo estudo e "preparação", cada fase da maternidade tem sido desafiadora. E os desafios se acumulam, sobrepõem, oras mais difíceis, oras já com certo jogo de cintura para lidar - aprendizado dos anteriores.
Ser mãe expatriada, sem domínio completo da língua do país onde se vive, pode sim tornar as coisas um pouco mais desafiadoras, principalmente se a rede de apoio para criar seu filho é zero, ou quase. Isso tem exigido de mim uma resiliência, às vezes, sobrehumana. Sobrehumana porquê muitas vezes é mais do que consigo dar, no entanto, não há outra opção a não ser dar conta.
Eu tenho UM filho, e muitas vezes me pergunto como algumas mães também expatriadas que conheço conseguem dar conta de dois, três... filhos. Não consigo nem considerar isso no momento.
Sendo a língua, ainda, um grande obstáculo para mim, sempre tento buscar ao redor mães brasileiras, mas, descobri nessa vida expatriada, o quão difícil é fazer amizades, estreitar relações. É bem verdade que meu círculo atual é composto basicamente de mães, mas isso levou tempo, e não posso dizer que tenho um círculo bem definido, mas que tenho grupos em que posso transitar e ter espaços para compartilhar, ouvir, receber ajuda e também ajudar. Mas isso exigiu de mim, além de ser "só mãe", uma busca, pesquisa e coragem. Afinal, não era só parir! As coisas não acontecem do nada, ou as informações aparecem pra gente de repente, é preciso dedicar tempo para buscar.
Escolhi nos últimos meses, enquanto nascia como mãe e em minha constante busca por me reconhecer, arriscar. Mesmo fora da minha zona de conforto. Encontrei sim um grupo de mães brasileiras, cujo suporte é inestimável e eu fico ansiosa para nossos encontros toda quarta. Mas também, me joguei no desconhecido, me "infiltrei" entre mães, pais e babás canadenses e de todas as nacionalidades, mesmo sem entender o que eles falam, muitas vezes. Comum passar por uns perrengues, paciência, mas se a gente não sai da nossa zona de conforto, a gente não aprende, não cresce.
Assim, frequentamos alguns grupos para crianças de zero a seis anos, com atividades, brinquedos e muitas crianças, onde o Liam tem podido se desenvolver, observar e aprender. Incrível como ele aprende de ver as outras crianças fazendo, e como ele interage e se mostra um serhumaninho tão empático. Tem sido realmente confortante ter essa oportunidade. E eu aproveito ao máximo, por ele e, também, por mim.
E eu, confesso, tenho aprendido muito também, sobre a cultura do país que escolhi viver, a ser uma pessoa melhor, mais paciente, mais compreensiva e menos julgadora, afinal, não existe verdade única em nada na vida, muito menos na maternidade! Tenho aprendido até sobre o que não fazer e o que fazer para beneficiar o desenvolvimento do meu filho, e é isso que tem me guiado para buscar sempre o melhor, a forma melhor de dar os brinquedos, quais brinquedos, e não apenas enchê-lo de brinquedos sem conhecer o propósito deles ou oferecer todos de vez.
E sim, acredito que isso tem feito toda diferença e é o que me permite conseguir notar e apreciar cada conquista dele! Nada disso surgiu do nada, exige muito, mas disso não me arrependo. E de dedicar meus minutos de tela para peaquisar ao máximo como mantê-lo longe das telas e proporcionar a ele oportunidades incríveis!
Sou uma mãe, fazendo meu melhor e apreciando de camarote as pequenas descobertas e grandes evoluções de um serhumano que estou ajudando a se formar!
E você, consegue apreciar essas coisas nos seus pequenos? Olhe com atenção e verá o quão lindo tem sido o trabalho que você tem feito!
Com carinho,
Laís.





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